quarta-feira, 17 de junho de 2009

O QUE PENSA O ANALFABETO?


Imagine se todas as letras não passassem de símbolos sem sentido. Imagine que as placas de indicação nas estradas, os itinerários dos ônibus, as informações nutricionais nas etiquetas de um produto, os manuais de funcionamento das máquinas que você adquire, fossem apenas um emaranhado incompreensível. Para esse homem analfabeto de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, isso é tão terível que equivale a uma tortura. É mais uma impressão colhida na pesquisa qualitativa que, em 2003, o então ministro da Educação, Cristovam Buarque, encomendou para medir o pensamento do analfabeto brasileiro.


"Eu trabalho num armazém. Eles mandam eu pegar uma mercadoria e, se eu não gravo aquilo na cabeça, eu não pego. Fala: você pega uma bolacha recheada, pega uma outra coisa, pega um sabão. Se eu não gravar na cabeça, eu não pego porque eu olho ali e eu não sei ler. Aquilo tudo perturba a gente. Tortura. É uma tortura".(Teófilo Otoni/MG, 50 anos ou mais)
11:29h